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CDG no Fórum Social Mundial

16/02/2009 14:08
Europe/London

O grupo de coordenadores do CDG teve seu segundo encontro durante o Fórum Social Mundial em Belém, na Amazônia Brasileira, de 27 de janeiro a 1 de fevereiro de 2009.

 

Uma parte do grupo discutiu o desenvolvimento geral do programa CDG desde o nosso primeiro encontro, em abril de 2008. Nós também promovemos planos consolidados para os dois primeiros projetos do CDG. Tão importante quanto a ocasião do Fórum Social Mundial foi fortalecer o
engajamento com outras associações e movimentos que compartilham preocupações para a construção da participação e controle popular na governança dos assuntos globais.

Em especial os coordenadores do CDG facilitaram diversos workshops no tema de “Como Construir uma Democracia Global?”. Além dos 8 coordenadores, esses eventos tiveram a presença de 180 outros participantes de todos os continentes, culturas, setores, gerações, classes, gêneros e raças. Entre os presentes havia desde um antigo funcionário das Nações Unidas até alunos da escola local. As discussões duraram mais de 10 horas.
 

Sessões do CDG no Fórum Social

As sessões começaram com os delegados do FSM descrevendo seus interesses na questão da democracia global. Alguns tinham motivações concretas: como a democracia global poderia promover melhores condições de vida para os povos indígenas da Amazônia; e como a democracia global poderia criar uma igreja mais igualitária. Outros participantes vieram com preocupações mais conceituais: por exemplo, como a democracia global poderia se relacionar com estratégias de desenvolvimento alternativo; e como uma esfera pública global poderia ser constituída.

Perspectivas da Democracia

Tendo uma ideia dos interesses das pessoas reunidas, os coordenadores do CDG deram um breve relato de suas diversas perspectivas sobre a construção da democracia global. Anada Kumar colocou os desafios da democracia global dentro da dinâmica da globalização, como um todo. Heba Ezzat afirmou a importância dos valores da democracia para os países árabes, mas também advertiu que a democracia global não deve ser mais uma imposição de fora. Alla Glinchikova instou que a democracia global seja tratada como o seu próprio processo e não apenas como a agregação das democratizações nacionais. Peng Zongchao sugeriu que ela poderia ser frutífera na construção da democracia global para tirar partido das ênfases chinesas na cooperação e harmonia ao longo do conflito e um equilíbrio entre os benefícios individuais e coletivos, e entre 'regra de', 'regra por' e 'regra para' o povo. Jessica Byron ofereceu uma tripla mensagem de: a) os desafios específicos de alcançar as vozes dos pequenos países insulares; b) o potencial do regionalismo como um caminho para a democracia global e c) o papel central da juventude em reelaborar a democracia para os assuntos globais. Diana Brydon salientou a importância da aprendizagem na construção da democracia global e a importância nessas pedagogias em vincular a 'justiça cognitiva' a diversas experiências culturais. Alfred Nhema chamou a atenção para os problemas específicos da construção da democracia global em situações de fragilidade dos Estados. Jan Aart Scholte destacou a reflexiva abordagem interregional, intercultural, multilingue, interdisciplinar, orientada para a ação, tomada pelo programa CDG.
 

Participantes desafiaram os coordenadores

Estes comentários provocaram pontos e questões de ampla escala, observações e depoimentos. Como a democracia global deve tratar as forças antidemocráticas? Como deve a democracia global lidar com práticas que são consideradas como democráticas em um contexto cultural e antidemocráticas em uma outra? As experiências pastoris poderiam ser mais relevantes para a democracia global do que o liberalismo moderno? Como pode a religião promover a democracia global quando tantas instituições religiosas foram antidemocráticas? Qual a relação entre a democracia global e a modernidade, e existem maneiras de ser 'amoderna' (diferente de antimoderna) na construção da democracia global? Deveríamos construir democracias globais (no plural) ao invés dum único modelo para todos? Qual é a diferença entre interculturalismo e multiculturalismo? Como a democracia global atingiria as pessoas humildes, assim como as elites globais? Qual é a relação entre a democracia global e as corporações multinacionais? Qual é o papel do Estado na democracia global? Como a Lei se relaciona com a democracia global? Qual parte, se houver, deveria o parlamento global ter na democracia global? Até que ponto é a internet uma força mobilizadora ou desmobilizadora para a democracia global? Como o Fórum Social Mundial deve se relacionar com a construção da democracia global?

As discussões confirmaram tanto a complexidade da construção da democracia global quanto os elevados níveis de interesse na questão, em muitos quadrantes. Quase todos os participantes se inscreveram para manter contato com futuras evoluções do programa do CDG. Já o escritório do CDG tem recebido um número de mensagens de acompanhamento entusiásticas. Estamos animados em levantar os contatos feitos em Belém para fases futuras do programa do CDG. 

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