

Donatella della Porta, Instituto Universitário Europeu, Itália e
Nicole Doerr, Universidade Livre de Berlim, Alemanha
O Fórum Social Mundial (FSM) é um espaço de aprendizagem para a democracia global criado pelos movimentos sociais em todo o planeta, com inspiração especial de ativistas da América Latina e noutras regiões do sul. A iniciativa apresenta-se (em seu site) como "um espaço aberto de encontro onde os movimentos sociais, redes, ONGs e outras organizações da sociedade civil que se opõem ao neoliberalismo e ao um mundo dominado pelo capital ou por qualquer forma de imperialismo se juntam para perseguir o seu pensamento, debater idéias democraticamente, formular propostas, compartilhar suas experiências livremente e trocar para uma ação eficaz. Em suma, o FSM convida as pessoas a imaginar justiça global "desde baixo".
Reuniões globais do FSM foram realizadas desde 2001 em locais incluindo Porto Alegre, Mumbai, Caracas, Bamako, Karachi, Nairóbi, Belém e Dakar. Além disso, outros Fóruns Sociais reuniram-se regionalmente (por exemplo, na Amazônia, Ásia e Europa), a nível nacional (por exemplo, na Índia e nos EUA), e localmente em todo o globo. Embora Fóruns Sociais têm recebido pouca atenção na mídia de comunicação e pesquisa, centenas de milhares de pessoas tem participado. Atividades no Fórum Social incluem passeatas, exposições, espetáculos, acampamentos e muito mais. Dezenas de milhares de ativistas, que representam milhares de organizações do movimento social de todo o mundo, reúnem-se em pequenos grupos, bem como grandes assembléias para discutir as idéias de outro mundo e as formas de alcançá-lo.
Dez anos de Fóruns Sociais sugerir algumas lições importantes sobre a aprendizagem para a democracia global. Um deles é a importância de respeitar a diferença. Espaços da diversidade, como o Fórum Social treinar ao povo em um formato de cidadania que atribui igual valor a diferentes competências, habilidades e formas de conhecimento. Os Fóruns Sociais consideram heterogeneidade nas formas e fontes de conhecimento não como um passivo para a compreensão, mas como um rico recurso. Além disso, a valorização da diversidade como um valor positivo atribui particular importância à escuta através da diferença nos eventos do Fórum Social.
Como parte desta celebração da diversidade, os Fóruns Sociais como espaços de aprendizagem para a democracia global têm mostrado especial empenho em o multilingüismo. Onde alguns propuseram Inglês como língua franca global, Fóruns Sociais usa tradução multilíngüe para trabalhar em conjunto mais democraticamente e produzir um conhecimento que torna visíveis as experiências dos diferentes grupos e culturas. Em contraste com os quadros de elite da educação global, transnacional reuniões do Fórum Social trabalham em diferentes línguas. Tal aprendizagem multilíngüe não só amplia o vocabulário e aumenta a refletividade, mas também aumenta os benefícios cognitivos de aprendizagem entre os participantes.
Fóruns Sociais também demonstrar as possibilidades empolgantes de aprendizagem para a democracia global encontrada nos intercâmbios horizontais entre os diversos movimentos sociais. As experiências anarquistas e feministas em particular têm promovido espaços anti-hierárquicos para a aprendizagem mútua no Fórum Social. Da mesma forma, o processo de Porto Alegre do Fórum Social Mundial no Brasil criou sinergias entre religiosos, a esquerda tradicional, os movimentos indígenas e sem-terra de diferentes contextos urbanos e rurais. Dado que aprendendo no Fórum permite que grupos muito divididos podam trocar conhecimentos e experiências, o processo é desafiante e transformador.
O envolvimento com as novas mídias de comunicação pode ampliar o alcance da aprendizagem da democracia global através dos Fóruns Sociais. Embora muitos movimentos falta de recursos materiais e acesso às instituições, eles podem usar a Internet para criar espaços públicos alternativos para a aprendizagem democrática e multilíngüe radical. Outro desafio é como movimentos podem usar tecnologias de informação e comunicação no Fórum Social para chegar a públicos mais amplos que atualmente não participam.
A experiência do Fórum Social sublinha igualmente a necessidade de medidas proativas de promoção da igualdade de gênero na aprendizagem da democracia global, mesmo num contexto de movimentos sociais progressistas. Muitas assembléias do Fórum Social têm frustrado os participantes quando eles apresentam uma sobre-representação do sexo masculino, branco, classe média oradores. Reconhecendo os riscos de exclusão, alguns fóruns sociais, como o Fórum Social dos Estados Unidos tem desenvolvido uma prática intencional de organização democrática radical, a fim de implementar um respeito às diferenças. Como resultado seus líderes populares incluem as minorias sexuais e as mulheres de cor. Fóruns Sociais Regionais na Europa tem apresentado uma quota de gênero e fundos de solidariedade para reforçar a participação das mulheres menos privilegiadas e os europeus não-ocidentais.
Juntas, as previas observações indicam que a aprendizagem da democracia global através do Fórum Social é um processo complexo, com diferentes contribuições, mas também seus próprios desafios. Os participantes nestes encontros evidenciam a necessidade de explorar as contradições internas do Fórum Social, como as hierarquias dentro de tomada de decisão nas reuniões da organização. Os participantes também muitas vezes discordam sobre o significado da Carta de princípios da Porto Alegre FSM reunião, levando a conflitos duros e resistentes também entre os próprios organizadores.